Crimes contra a Administração Pública: Guia de Defesa Criminal
Entenda os principais crimes funcionais, suas características e as estratégias de defesa mais eficazes
Por Dr. Adam | OAB/SP 400.322 | Especialista em Direito Administrativo e Criminal
Os crimes contra a administração pública são infrações penais praticadas por servidores públicos no exercício de suas funções ou em razão delas. Essas condutas estão previstas no Código Penal (artigos 312 a 327) e podem resultar em penas de reclusão de até 12 anos, além de multa, perda do cargo público e inabilitação para o exercício de função pública.
Este artigo apresenta um guia completo sobre os principais crimes funcionais: peculato, concussão, corrupção passiva e prevaricação. Você conhecerá as características de cada crime, as estratégias de defesa mais eficazes e os cuidados essenciais para proteger seus direitos durante a investigação e o processo criminal.
Principais Crimes contra a Administração Pública
Conheça os crimes funcionais mais comuns e suas características essenciais:
Peculato (Art. 312 CP)
Apropriação ou desvio de dinheiro, valor ou bem móvel público. Pena: 2 a 12 anos de reclusão + multa.
Elementos do Tipo:
Apropriação, desvio ou facilitação de apropriação/desvio de bem público por servidor
Concussão (Art. 316 CP)
Exigir vantagem indevida usando a condição de funcionário público. Pena: 2 a 12 anos de reclusão + multa.
Elementos do Tipo:
Exigência de vantagem indevida utilizando-se da função pública
Corrupção Passiva (Art. 317 CP)
Solicitar, receber ou aceitar promessa de vantagem indevida. Pena: 2 a 12 anos de reclusão + multa.
Elementos do Tipo:
Solicitação, recebimento ou aceitação de promessa de vantagem indevida
Prevaricação (Art. 319 CP)
Retardar ou deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal. Pena: 3 meses a 1 ano de detenção + multa.
Elementos do Tipo:
Retardamento ou omissão de ato de ofício por interesse ou sentimento pessoal
Atenção: Dupla Responsabilização
O servidor público acusado de crime funcional pode responder simultaneamente a processo criminal (na Justiça comum) e PAD (na esfera administrativa). As esferas são independentes, mas a absolvição criminal por negativa de autoria ou inexistência do fato repercute na esfera administrativa.
Estratégias de Defesa Criminal de Alto Valor
A defesa em crimes funcionais exige conhecimento técnico profundo. Conheça as estratégias mais eficazes:
Análise da Tipicidade da Conduta
Demonstração de que a conduta imputada não se enquadra perfeitamente no tipo penal, faltando elementos essenciais como dolo específico ou qualidade de funcionário público.
Tese de Atipicidade Material
Argumentação de que, embora formalmente típica, a conduta não possui relevância penal suficiente para justificar a intervenção do Direito Penal (princípio da insignificância ou bagatela).
Excludentes de Ilicitude
Demonstração de que a conduta foi praticada em estrito cumprimento de dever legal, exercício regular de direito ou estado de necessidade.
Ausência de Dolo
Comprovação de que não houve intenção de praticar o crime, mas sim erro de fato, erro de proibição ou mero erro administrativo sem relevância penal.
Nulidades Processuais
Identificação de vícios no inquérito policial ou na ação penal: provas ilícitas, cerceamento de defesa, incompetência do juízo, inobservância de prazos.
Prescrição da Pretensão Punitiva
Verificação rigorosa dos prazos prescricionais, que podem extinguir a punibilidade antes mesmo da condenação definitiva.
Defesas Específicas por Tipo de Crime
Cada crime funcional possui teses de defesa específicas. Conheça as principais:
Peculato
- Ausência de dolo de apropriação definitiva
- Erro administrativo sem intenção de locupletamento
- Impossibilidade de apropriação (bem não estava sob custódia)
- Aplicação do princípio da insignificância (valores ínfimos)
Concussão
- Inexistência de exigência (mera solicitação não configura concussão)
- Ausência de grave ameaça ou constrangimento
- Cobrança legítima de taxa ou tributo
- Descaracterização para corrupção passiva (se não houve exigência)
Corrupção Passiva
- Ausência de solicitação, recebimento ou aceitação de vantagem
- Inexistência de ato de ofício vinculado à vantagem
- Presente ou cortesia social sem caráter de contraprestação
- Denunciação caluniosa ou armadilha (flagrante preparado)
Prevaricação
- Ausência de interesse ou sentimento pessoal
- Retardamento justificado por motivos técnicos ou legais
- Inexistência de dever legal de praticar o ato
- Mero erro administrativo sem relevância penal
Como Funciona o Processo Criminal
1. Inquérito Policial
Fase investigatória conduzida pela Polícia Federal (crimes contra a União) ou Polícia Civil (crimes estaduais/municipais). Coleta de provas, oitiva de testemunhas e indiciamento do servidor. Prazo: 30 dias (réu preso) ou indeterminado (réu solto).
2. Denúncia do Ministério Público
Após o inquérito, o MP oferece denúncia (acusação formal) se houver justa causa. O juiz pode receber ou rejeitar a denúncia. O recebimento marca o início da ação penal.
3. Resposta à Acusação
Após a citação, o réu apresenta resposta escrita à acusação no prazo de 10 dias, podendo arguir preliminares, apresentar documentos, arrolar testemunhas e requerer diligências.
4. Instrução Processual
Fase de produção de provas: oitiva de testemunhas de acusação e defesa, perícias, interrogatório do réu. É fundamental impugnar provas ilícitas e produzir contraprovas.
5. Alegações Finais e Sentença
Após a instrução, MP e defesa apresentam alegações finais. O juiz profere sentença: condenação (com fixação de pena), absolvição ou extinção da punibilidade.
6. Recursos
Da sentença cabem recursos aos Tribunais (Apelação, Recursos Especial e Extraordinário). Apenas após o trânsito em julgado a pena é executada.
Cuidados Essenciais Durante a Investigação e Processo
O Que FAZER
- ✓ Contrate advogado criminalista imediatamente
- ✓ Exerça o direito ao silêncio (Art. 5º, LXIII, CF)
- ✓ Não preste declarações sem advogado presente
- ✓ Reúna documentos e provas favoráveis
- ✓ Arrole testemunhas idôneas
- ✓ Acompanhe todas as fases do processo
O Que NÃO FAZER
- ✗ Não faça declarações à polícia sem advogado
- ✗ Não assine documentos sem ler e compreender
- ✗ Não tente destruir ou ocultar provas
- ✗ Não ameace ou coaja testemunhas
- ✗ Não ignore intimações ou mandados
- ✗ Não confie em "acordos informais" com investigadores
Direito ao Silêncio
A Constituição Federal garante o direito ao silêncio (Art. 5º, LXIII). Você não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Use esse direito estrategicamente, sempre com orientação de advogado especializado.
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